A. D. 2230

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Autor: Amílcar de Mascarenhas

Original: 1938

Editora: Parceria A. M. Pereira

Comentário: A guerra aproxima-se. De um lado estão os Estados da América do Norte e a Confederação Europeia. Fruto da vitória do movimento feminista, ambas as superpotências são governadas por mulheres. Do outro lado está o Império Português. Governado por gémeos, compensa a inferioridade de recursos com a supremacia tecnológica.

Propaganda óbvia aos valores do regime salazarista, é um livro três em um, congregando habilmente ficção científica, aventura de espiões e romance de cordel.

Como exercício de futurologia, o livro falha em toda a linha.

Apesar de ignorar olimpicamente as leis da física, o autor revela talento narrativo e uma imaginação a roçar o brilhante, sendo o aeroporto de Lisboa (visível na capa) o expoente máximo das projectadas maravilhas do futuro.

A República nunca existiu

Contos sobre um Portugal onde o regicídio de 1908 falhou.

Introdução: Octávio dos Santos

Editora: Saída de Emergência

Colecção: Bang!

Número: 43

Contos:

  • Seis momentos em tempo real – João Aguiar
  • Missão 121908 – Luísa Marques da Silva
  • O nome do rei – Bruno Martins Soares
  • A lombada do Moleskine – Luís Bettencourt Moniz
  • A marcha sobre Lisboa – Octávio dos Santos
  • Primos de além-mar – Gerson Lodi-Ribeiro
  • D. Amélia: mini-peça em dois actos – Miguel Real
  • O patriota improvável – Maria de Menezes
  • Ao serviço de Sua Majestade – Luís Richheimer de Sequeira
  • Esparguete à Carbonária – Alexandre Vieira
  • A noite das marionetas – João Seixas
  • A encenação – José Manuel Lopes
  • Rei sem coroa – Sérgio Sousa-Rodrigues
  • A rainha adormecida – Cristina Flora

Regiana Magna

Organização: Marcelina Gama Leandro / Álvaro de Sousa Holstein

Prefácio: Ernesto Rodrigues

Contos:

  • Equinócio Setembrino na Boca do Inferno – Luís Corujo
  • Prodigium qui est in mare – Ricardo Dias
  • Encontro na cidade – Álvaro de Sousa Holstein
  • Umas férias incomuns – Marcelina Gama Leandro
  • Longe do mar – José Manuel Morais
  • Um facho a arder na noite escura – Jorge Palinhos
  • A escrivaninha – João Ventura

Comentário: José Régio é o protagonista em sete incursões na área do fantástico.

Lisboa no ano 2000

Uma antologia assombrosa sobre uma cidade que nunca existiu.

Organização: João Barreiros

Editora: Saída de Emergência

Colecção: Bang!

Número: 199

Contos:

  • O que escondem os abismos – 1ª parte: O turno da noite – João Barreiros
  • Venha a mim o nosso reino – Ricardo Correia
  • Os filhos do fogo – Jorge Palinhos
  • Dedos – AMP Rodriguez
  • As duas caras – António de Carlos Eduardo Silva
  • Electrodependência – Ana C. Nunes
  • Nanoamour – Ricardo Cruz Ortigão
  • Energia das almas – João Ventura
  • Fuga – Joel Puga
  • O que escondem os abismos – 2ª parte: Tratado das paixões mecânicas – João Barreiros
  • O obus de Newton – Telmo Marçal
  • Ex-Machina – Michael Silva
  • A rainha – Pedro Vicente Pedroso
  • Taxidermia – Guilherme Trindade
  • Quem semeia no Tejo – Pedro G. P. Martins
  • Coincidências – Pedro Afonso
  • O que escondem os abismos – 3ª parte: Chamem-nos Legião – João Barreiros

Comentário: Como imaginariam os escritores de 1900 a Lisboa do ano 2000?
A resposta surge nestes contos. Portugal continua a ser uma monarquia e Lisboa, por oposição ao império germânico, é a “capital” do mundo livre.
A electricidade, fornecida pelas Torres Tesla, tem por vezes características fantásticas.
E ainda temos direito a alguns meios de transporte que seriam futuristas em 1900.
Contos, em geral, bastante aceitáveis. No entanto, a imposição de um contexto comum foi certamente um travão à imaginação.

Lisboa no ano 2000

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Autor: Melo de Matos

Original: 1906

Editora: Apenas

Comentário: Conjunto de artigos de revista descrevendo de forma curiosa e bastante optimista a Lisboa do futuro. O autor foca apenas aspectos económicos e tecnológicos.

O jardim das delícias

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Autor: João Aguiar

Original: 2005

Editora: Asa

Colecção: Finisterra

Comentário: Portugal e a UE a meio do século XXI.
Uma história bem interessante, com conteúdo político. Um exercício de futurologia de um profundo conhecedor da História. Escrito numa altura em que era “loucura” ser contra a integração europeia, mostra-nos alguns perigos desse caminho.

Outras edições: Baseado no conto “Enfim, o paraíso”, publicado na primeira edição de O canto dos fantasmas (1990).

Obs: Alterando uma conhecida frase, este livro não é FC, é muito mais que isso.
Embora pareça um pouco deslocado neste site, não podia deixar de fazer uma pequena homenagem ao melhor escritor português.

A ameaça cósmica

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Autor: Luís de Mesquita

Prefácio: Hugo Rocha

Editora: Sampedro

Colecção: Satélite

Número: 1 (único?)

Comentário: Escrita pouco depois do nascimento de Bruce Willis, esta obra é a versão portuguesa de Armageddon (ou de Impacto profundo). E até tem um herói português e tudo…
É a melhor obra de FC portuguesa que já li.
Em muitos aspectos está ao nível dos grandes clássicos do género mas alguns erros científicos graves retiram-lhe valor.
Alguma desvalorização do conhecimento científico e a propaganda descarada aos valores do regime eram perfeitamente dispensáveis.

Obs: Prevê para 1967 a chegada do primeiro homem à Lua (por coincidência chama-se Collins) e a existência de uma estação espacial (Roda).